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Ciências Biomédicas, Biomed Biopharm Res., 2022; 19(2):265-277
doi: 10.19277/bbr.19.2.290versão pdf aqui [+]; versão inglês html [EN]  

 

Adesão ao padrão alimentar mediterrânico e fatores sociodemográficos em estudantes do 3.º ciclo do ensino básico da ilha Terceira, Açores, Portugal

Leandro Oliveira 1, Francisco Sousa 2,3 & Maria Graça Silveira 4,5

 

1CBIOS – Universidade Lusófona’s Research Center for Biosciences & Health Technologies, Campo Grande 376, 1749-024 Lisboa, Portugal; 2School of Social and Human Sciences of the University of the Azores, Rua da Mãe de Deus, 9500-321 Ponta Delgada, Açores, Portugal; 3Interdisciplinary Centre of Social Sciences - Campus of the University of Azores CICS.NOVA.UAc, Rua da Mãe de Deus, 9500-321 Ponta Delgada, Açores, Portugal; 4School of Agrarian and Environmental Sciences of University of the Azores, Rua Capitão João d’Ávila – Pico da Urze 9700-042 Angra do Heroísmo, Açores, Portugal; 5Biotechnology Centre of Azores, Rua Capitão João d’Ávila – Pico da Urze 9700-042 Angra do Heroísmo, Açores, Portugal*

 

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Resumo

O padrão alimentar mediterrânico (PAM) tem sido apontado como sendo promotor de saúde e preventor de determinadas doenças crónicas. O objetivo deste estudo era determinar a adesão ao PAM numa amostra de estudantes do 3.º ciclo do ensino básico da ilha Terceira, e a sua relação com fatores sociodemográficos e estado ponderal. A recolha de dados foi realizada entre maio e junho de 2015. Utilizou-se um questionário de aplicação direta que incluía o KIDMED para avaliar a adesão ao PAM. Participaram neste estudo 303 estudantes com idade entre os 11 e os 19 anos, maioritariamente do sexo feminino (57,8%). A maior parte dos estudantes (64,4%) revelou um nível intermédio de adesão ao PAM e a prevalência de excesso de peso foi de 33%. Os rapazes tiveram uma maior percentagem de consumo regular de cereais ao pequeno-almoço e de frutos gordos e consumo diário de 2 iogurtes e/ou 40 g de queijo. Estudantes que tinham uma horta e ajudavam a cuidar dela, ou pertencentes a famílias com mais membros com idade inferior a 18 anos, tinham uma adesão maior ao PAM. Não foram encontradas associações entre outros fatores sociodemográficos com a adesão ao PAM. Face aos resultados encontrados, sugere-se o reforço dos programas de educação alimentar existentes nas escolas, bem como o desenvolvimento de outros com uma abordagem multidisciplinar que promovam a adesão ao PAM.

 

Palavras-chave: Padrão Alimentar Mediterrânico, alunos, KIDMED, estado ponderal, Açores

Recebido: 01/07/2022; Aceite: 06/09/2022

Introdução

A expressão "Dieta Mediterrânea" foi usada pela primeira vez na década de 1960 sendo associada a uma redução na incidência de doenças crónicas e a uma maior esperança de vida. Esta é um modelo cultural, histórico e de saúde, que desde 4 de dezembro de 2013, é reconhecido em Portugal, Espanha, Marrocos, Itália, Grécia, Chipre e Croácia pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade (1).

O Padrão Alimentar Mediterrânico (PAM) é caracterizado pela: elevada ingestão de alimentos in natura, sazonais e pouco processados (frutas e hortaliças, cereais integrais, leguminosas e frutas oleaginosas); ingestão moderada de laticínios (preferencialmente queijo e iogurte); ingestão preferencial de peixe ou carnes brancas, em detrimento de carnes vermelhas; consumo regular mas moderado de vinho (tendendo a acompanhar as refeições); uso de ervas e especiarias para tempero e azeite como principal fonte de gordura (2). Deste modo, podemos verificar que de uma perspetiva nutricional, o PAM é pobre em gorduras saturadas, hidratos de carbono simples e proteína animal, sendo rico em antioxidantes, fibras e gorduras monoinsaturadas; tem também sido descrito que o PAM possui rácio adequado de ácidos gordos ómega-6/ómega-3 (3).

Vários estudos têm demonstrado os benefícios para a saúde do PAM, nomeadamente na prevenção e tratamento de doenças crónicas como obesidade (4), doenças cardiovasculares (5), diabetes mellitus tipo 2 (6), síndrome metabólica e proteção contra vários tipos de cancro (7); doenças neurodegenerativas, depressão e doenças respiratórias (8).

Apesar destes benefícios, apenas 26% da população portuguesa apresenta uma elevada adesão à dieta mediterrânica, sendo que a maioria da população tem um consumo de leguminosas, hortofrutícolas e frutos oleaginosos abaixo do desejável (9). Além disso, dados recentes reportam que 57,5% dos adultos portugueses (63,1% dos homens e 52% das mulheres) são pré-obesos ou obesos, e que cerca de uma em cada três crianças tem excesso de peso sendo que mais de 10% delas têm mesmo obesidade (10).

Deste modo, verifica-se que é necessário promover o PAM junto da população portuguesa, especialmente junto das crianças, uma vez que os hábitos alimentares são formados desde a infância (11). Torna-se, assim, necessário o desenvolvimento de intervenções mais eficazes e ajustadas às características deste grupo populacional. Portanto, o objetivo deste estudo é avaliar o nível de adesão ao PAM em alunos do 3.º ciclo do ensino básico da Ilha Terceira, e a sua relação com fatores sociodemográficos e o seu estado ponderal.

Material e Métodos

Este é um estudo transversal cuja sua população foi constituída por alunos que frequentam o 3.º ciclo do ensino básico nas escolas básicas da Ilha Terceira, Açores, Portugal. A recolha de dados decorreu entre maio e junho de 2015.

Amostra e procedimentos

Na ilha Terceira existem sete unidades orgânicas (escolas ou agrupamentos de escolas) do sistema educativo regional (quatro em Angra do Heroísmo e três na Praia da Vitória). Cinco delas (três em Angra do Heroísmo e dois na Praia da Vitória) aceitaram participar no estudo. Pretendeu-se alcançar pelo menos 50% das turmas de cada ano do 3.º ciclo do ensino básico de cada escola participante. Estas turmas foram selecionadas por conveniência de acordo com a recomendação da direção da escola. Os questionários foram distribuídos aos alunos e preenchidos em sala de aula, estando presente um investigador para o esclarecimento de dúvidas.

Instrumentos

Foi utilizado um questionário constituído por quatro grupos. O grupo I era relacionado com a caracterização sociodemográfica e dados antropométricos (sexo, idade, nacionalidade, cidade de residência, número de elementos do agregado familiar, peso, estatura, etc.). O grupo II referia-se ao consumo alimentar em que se utilizou-se um questionário qualitativo de frequência alimentar e a versão portuguesa do Índice de Qualidade da Dieta Mediterrânea para Crianças e Adolescentes — KIDMED (12). O grupo III era direcionado para questões referentes ao conhecimento sobre alimentação. Por fim, o grupo IV abordou a perceção, crenças e atitudes em relação aos alimentos promotores de saúde. Neste trabalho apenas serão utilizados os dados referentes ao grupo I e ao KIDMED. Este índice, consiste num conjunto de dezasseis questões relacionadas ao consumo diário e à frequência de consumo de alguns alimentos. Estas questões foram cotadas com uma pontuação (+1 ou -1) de acordo com a sua consonância com o PAM. A soma dos valores obtidos varia entre 0 e 12 e permite categorizar a adesão ao PAM em três níveis: nível 1 - alta adesão (≥ 8); nível 2 - adesão intermédia (4 a 7) e nível 3 – baixa adesão (≤ 3). Neste estudo foi utilizada a versão portuguesa do Índice KIDMED traduzido para o português. O índice de massa corporal foi classificado de acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde para crianças e jovens/adolescentes (13).

Considerações éticas

O presente estudo foi realizado de acordo com as normas éticas estabelecidas na Declaração de Helsínquia de 1964 (14) e as suas posteriores emendas ou normas éticas comparáveis. A direção das escolas avaliadas, aprovaram a realização do presente estudo. O preenchimento dos questionários por parte dos alunos decorreu após autorização dos encarregados de educação através de um termo de consentimento informado a autorizar o seu educando a participar no mesmo. Foi ainda perguntado aos alunos se queriam participar no estudo, e após resposta afirmativa de ambos, foi distribuído o questionário.

Analise estatística

Após a recolha de dados, foi realizado o tratamento estatístico com recurso ao IBM SPSS Statistics, versão 26.0 para Windows. A estatística descritiva consistiu no cálculo da média e do desvio padrão (DP) no caso das variáveis cardinais, e no cálculo das frequências relativas e absolutas no caso das variáveis ordinais e nominais. Para a comparação das ordens médias das amostras independentes, foi utilizado o teste de Mann-Whitney; e para comparar proporções entre variáveis qualitativas, foi utilizado o teste Qui-quadrado. Foi considerado um nível de significância (p) de 0,05 em todas as análises.

Resultados

 

Aceitaram participar do estudo, com o consentimento dos pais, 366 alunos. Contudo, 63 questionários foram rejeitados por não terem sido preenchidos corretamente ou por falta de alguns dados. A maioria dos participantes era do sexo feminino (58%), com idades compreendidas entre os 14 e os 16 anos (66%), a frequentar o 9.º ano (68%) e residentes em zonas rurais (85%) em Angra do Heroísmo (73%). Em relação ao estado ponderal, a maioria foi classificada como normoponderal (66%), contudo 33% tinha excesso de peso (pré-obesidade e obesidade). Uma descrição mais detalhada pode ser encontrada na Tabela 1.

 

Na Tabela 2 apresentamos a distribuição das respostas dos alunos ao índice KIDMED por sexo. Em geral, a maioria dos estudantes consumia pelo menos uma peça de fruta ou um sumo de fruta por dia, hortícolas frescos ou cozidos pelo menos uma vez ao dia, leguminosas mais de uma vez por semana, pescado regularmente, e utilizava azeite em casa. Quanto ao pequeno-almoço, verificou-se que a maioria dos alunos tinha o hábito de realizar esta refeição, além de consumir tanto laticínios quanto cereais ou derivados (pão etc.). No entanto, foi reportado um baixo consumo de frutos oleaginosos, e por outro lado um elevado consumo de fast food, mais de uma vez por semana, e de produtos de pastelaria (bolachas, croissants, bolos, etc.) no pequeno-almoço e consumo de doces ou guloseimas várias vezes por dia. Quando comparados com as raparigas, os rapazes apresentaram maior prevalência de consumo de frutas, cereais ou derivados (pão, etc.) ao pequeno-almoço, frutos oleaginosos, iogurtes e/ou queijo. A média total da pontuação do KIDMED foi de 5,59 (desvio-padrão: 2,06) pontos. Em termos de prevalência da adesão ao PAM, 14,9% tinha uma baixa adesão, 64,4% tinha uma adesão intermédia, e 20,8% tinha uma alta adesão.

 

 

Na Tabela 3 são apresentadas as relações entre as características sociodemográficas e níveis de adesão à Dieta Mediterrânica. Em geral, verifica-se que a maioria dos alunos apresenta um nível intermediário de adesão ao PAM. O número de membros do agregado familiar e o número de crianças influenciam positivamente o nível de adesão ao PAM. Além disso, os alunos que costumam ajudar os pais a cuidar da horta apresentaram maior nível de adesão ao PAM em comparação aos que não o fazem. Não se verificou uma relação entre a adesão ao PAM com o sexo, idade, cidade e zona de residência, ter uma horta, nem com o estado ponderal.

Discussão

Este estudo transversal pretendeu em primeiro lugar, avaliar o nível de adesão ao PAM em alunos do 3º ciclo do ensino básico da Ilha Terceira, e em segundo lugar, estudar a relação da adesão ao PAM com fatores sociodemográficos e o estado ponderal dos mesmos.

Em relação ao estado ponderal, foi encontrada uma prevalência de 33,0% de excesso de peso (pré-obesidade e obesidade). Este valor aproxima-se do encontrado num estudo com jovens estudantes do Algarve (29,4%), mas superior ao valor encontrado num estudo realizado em 17 cidades portuguesas (Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Faro, Figueira da Foz, Funchal, Guimarães, Leiria, Lisboa, Mirandela, Porto, Viana do Castelo, Vila Real, Viseu) (15) e superior à média nacional (10).

A maioria dos estudantes não consume frutos oleaginosos pelo menos 2 a 3 vezes por semana, pelo que o seu consumo deve ser incentivado. Os frutos oleaginosos são excelentes fontes de gorduras monoinsaturadas e polinsaturadas (como ácidos gordos ómega-3), vitaminas (vitamina E e ácido fólico), minerais, fibras e substâncias com propriedades antioxidantes (16). Esses alimentos podem ser uma boa opção para uma refeição intermédia, e o seu consumo está associado a benefícios na prevenção de doenças cardiovasculares (17). Vale ainda destacar que o consumo de fast food mais de uma vez por semana, a utilização de produtos de confeitaria ou pastelaria ao pequeno-almoço, e comer doces ou guloseimas várias vezes ao dia, deve ser desincentivado. Estes alimentos são ricos em açúcares simples, sal e gorduras saturadas (18), e o seu consumo excessivo está associado a diversas doenças crónicas e excesso de peso (19-21).

No nosso estudo verificou-se uma maior prevalência de um nível intermédio de adesão ao PAM, o que está de acordo com outros estudos em Portugal Continental. No estudo de Barbosa (22) publicado em 2012, foi encontrada uma média de adesão ao PAM de 7,19 (DP = 2,04) em 212 alunos do 7º ano que frequentavam uma escola de Braga enquanto a média encontrada na Ilha Terceira foi de 5,59 (DP = 2,06 ) pontos. Em outro estudo (23), também no norte de Portugal, que envolveu 166 crianças de duas escolas primárias da Póvoa de Lanhoso, foram encontrados 61,4% de "alta adesão" ao PAM, enquanto na Ilha Terceira havia apenas 20,8%. Alves (24), no seu estudo realizado em Vila Real, que envolveu 281 escolas secundárias, os alunos referiram uma mediana de 4 pontos de adesão ao PAM, ou seja, inferior à média encontrada na Ilha Terceira. Em Guimarães, num estudo (25) com 464 alunos do 1.º ciclo do ensino básico, foi encontrada uma prevalência de adesão intermédia ao PAM (69,1%), ligeiramente superior à encontrada na ilha Terceira.

No que diz respeito à região centro de Portugal, no estudo de Vaquinhas et al. (26), que envolveu 98 crianças do 2º ciclo do ensino básico numa escola de Coimbra, encontrou-se uma elevada adesão ao PAM (85,7%), muito superior à encontrada na Ilha Terceira. Outro estudo (27) com 3995 crianças e adolescentes dos 2 aos 21 anos de Santarém e Alpiarça reportou uma adesão elevada ao PAM (62,0%), superior à encontrada na ilha Terceira.

O nível de adesão intermédia ao PAM encontrado na ilha Terceira é semelhante ao encontrado noutro estudo, que foi realizado em Tavira com 1952 jovens, com idades compreendidas entre os 3 e os 19 anos (28). No entanto, ao comparar a percentagem de alta adesão ao PAM no nosso estudo com esse (24,4%) verifica-se que, em nosso estudo, esta é menor. E se compararmos os nossos resultados com os de outro estudo também realizado na região do Algarve (52,5%) (12), nota-se que, em nosso estudo, a adesão ao PAM é muito menor. Por fim, num estudo realizado no arquipélago da Madeira com 223 crianças e jovens de uma escola básica do Funchal, com idades compreendidas entre os 6 e os 16 anos, foi reportada uma elevada adesão ao PAM para mais de 50% dos participantes, o que é superior ao encontrado na Ilha Terceira (29).

A adesão ao PAM nos estudantes da Ilha Terceira é inferior ao encontrado em outras zonas do país. Assim, recomenda-se que se tomem medidas que aumentem esta adesão, tendo em conta os benefícios na promoção de saúde e prevenção de doenças associadas ao PAM (como descrito anteriormente).

Não foram encontrados projetos/ iniciativas com a finalidade especifica de aumentar a adesão ao PAM nos Açores, contudo, de forma indireta podemos destacar a participação de alguns estabelecimentos de ensino no projeto EcoEscolas (de abrangência nacional) que pretende encorajar o desenvolvimento de atividades, com o intuito de melhorar do desempenho ambiental das escolas e encontrar soluções que permitam melhorar a qualidade de vida na escola e na comunidade (30). Algumas destas atividades estão relacionadas com a alimentação saudável e sustentável, com destaque para a dieta mediterrânica. Contudo, em Portugal Continental existem outros projetos/ iniciativas que envolvem escolas e que merecem destaque, nomeadamente o “Eat Mediterranean: Um programa para reduzir desigualdades nutricionais em refeições escolares” (2015-2017) (31), e o projeto MEDITA “Dieta Mediterrânica promove saúde” (2017-2020) que tem como objetivos a promoção de hábitos de vida mais saudáveis nos jovens da região do Algarve nas crianças e jovens da Região da Andaluzia, tendo por base o conceito da Dieta Mediterrânica (32).

Deste modo, poderiam ser desenvolvidos projetos de educação alimentar dirigidos aos estudantes do 3.º ciclo do ensino básico, que promovessem a adesão ao PAM, por exemplo, workshops de culinária, associadas a hortas pedagógicas, visualização de vídeos ou participação em debates; mas que também poderiam ser alargados à restante comunidade escolar. A melhoria da oferta alimentar, nomeadamente da qualidade nutricional das refeições da cantina/ refeitórios e das máquinas de venda automática de acordo com os princípios do PAM (excluindo o vinho) também poderia ser uma estratégia a ser adotada.

Importa ainda realçar que o nosso estudo apresenta algumas limitações, como o facto de não ser representativo da adesão ao PAM no arquipélago dos Açores, uma vez que se encontra circunscrito à Ilha Terceira. Além disso o seu desenho transversal não permite a extrapolação dos seus resultados. Ademais, os questionários foram preenchidos pelos alunos e, embora tenham tido a oportunidade de esclarecer quaisquer dúvidas que possam ter, podem apresentar algum viés. Por outro lado, os participantes abrangem toda a ilha Terceira, com cinco das sete escolas com 3º ciclo do ensino básico a participar no estudo. Portanto, temos uma amostra representativa da ilha, distribuída pelos seus dois municípios. Ao nosso conhecimento, este é o primeiro estudo realizado no arquipélago dos Açores que avaliou a adesão ao PAM numa faixa etária tão jovem, apenas um estudo (33) realizado em 2008 avaliou a adesão ao PAM entre adolescentes (15 a 18 anos). A prevalência de alta adesão ao PAM encontrada nesse estudo é semelhante à encontrada em neste. Importa realçar que os resultados aqui apresentados podem, ainda, servir de ponto de comparação e de suporte para futuras intervenções com vista à promoção do PAM. Além disso, podem servir para o desenvolvimento de intervenções de educação alimentar nesta temática mais bem-adaptadas às características dos estudantes do 3º ciclo do ensino básico da ilha Terceira.

Conclusões

A alta prevalência de excesso de peso (pré-obesidade e obesidade) e a baixa "alta" adesão ao PAM revela a necessidade de promover a adesão a este padrão alimentar nesta população. Portanto, realçamos que a colaboração entre os setores de saúde e educação é de extrema importância para a promoção da alimentação saudável. A escola surge, assim, como um ambiente ideal para educar para tal fim, bem como para a criação de hábitos alimentares saudáveis em idade precoce. Os resultados apresentados podem ser úteis para futuras intervenções comunitárias que visem a promoção de hábitos alimentares mais saudáveis.

Declaração sobre as contribuições do autor

LO, FS e MGS, conceção e desenho do estudo; LO, implementação experimental; LO, análise de dados; LO, redação, edição e revisão; LO, tabelas; LO, FS e MGS, supervisão e redação final.

Financiamento

Este trabalho é financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, ao abrigo do concurso "Literacia em Saúde 2014 — Os Cidadãos e a Saúde: melhorar a informação, melhorar a decisão” no âmbito do projeto “Alimentos promotores de saúde em contexto escolar – mais conhecimento melhor crescimento”.

Agradecimentos

Os autores desejam expressar os seus agradecimentos a todos os participantes.

Conflito de Interesses

Os autores declaram que não há relações financeiras e/ou pessoais que possam representar um potencial conflito de interesses.

 

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