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Ciências Biomédicas, Biomed Biopharm Res., 2022; 19(1):31-41

doi: 10.19277/bbr.19.1.278; versão pdf aqui [+]versão inglês html [EN] 

 

Avaliação antropométrica de crianças em idade pré-escolar e escolar da Macaronésia Europeia

Nelson Tavares*, Tatiana Silva, Cíntia Ferreira-Pêgo

CBIOS – Universidade Lusófona’s Research Center for Biosciences & Health Technologies, Campo Grande 376, 1749-024 Lisboa, Portugal

* afiliação actual: Natiris, Portugal

autor para correspondência: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Resumo

A obesidade infantil tem vindo a revelar uma crescente prevalência desencadeando um interesse no que concerne aos efeitos do ganho de peso excessivo na infância. A identificação de crianças com pré-obesidade e obesidade numa fase precoce e o encaminhamento das mesmas no sentido de iniciar um tratamento que vise o alcance e/ ou manutenção de um peso saudável compreendem alicerces fundamentais na sustentação de um estado de saúde. Foi desenvolvida uma análise transversal para avaliar a prevalência de peso normal, pré-obesidade e obesidade em crianças em idade pré-escolar e escolar na Madeira, nos Açores e nas Canárias. A amostra incluiu 3481 indivíduos (1768 rapazes e 1713 raparigas) com idades entre os 3 e 9 anos. A prevalência de pré-obesidade (20,90% vs. 16,50%) e obesidade (14,10% vs. 13,00%) revelou-se superior nas raparigas e em indivíduos residentes na Madeira e nos Açores. Os resultados expõem a necessidade da existência de estratégias educativas, medidas de saúde pública e de medidas interventivas que contribuam para um controlo da obesidade em diversos países do mundo.

Palavras-chave: Avaliação antropométrica; Crianças; Macaronésia Europeia; Obesidade; Pré-obesidade

 

Recebido:31/12/2021; Aceite: 22/03/2022

 

Introdução

A obesidade caracteriza-se por uma doença multifatorial que tem vindo a ser descrita como detentora de uma fase dinâmica (tornar-se obeso) e de uma fase estática (manutenção de um dado nível de obesidade). Tem sido traçada como causada por fatores fisiológicos e comportamentais e não simplesmente como um produto resultante de uma alimentação excessiva e o seu tratamento é extremamente complexo não sendo passível de resolução total, enveredando por teorias fisiológicas (com foco na genética, taxas metabólicas e células gordas), comportamentais (que se centram na atividade física e na ingestão de alimentos) e restritivas (que analisam os efeitos das cognições (mente) sobre o processo fisiológico da alimentação (corpo)).

A obesidade infantil tem desencadeando um interesse exponencial no que concerne aos efeitos resultantes do ganho de peso excessivo na infância, devido ao aumento progressivo da sua taxa e ao facto de que o desenvolvimento do tecido adiposo neste período é determinante nos padrões de composição corporal de um indivíduo adulto (1), bem como um potencial instigador de comorbilidades tais como a diabetes mellitus tipo 2, a hipertensão, a Esteatose hepática não alcoólica, a apneia obstrutiva do sono e as dislipidemias (2). Adicionalmente a estes fatores integrantes em âmbitos de saúde, a obesidade acarreta também encargos dispendiosos do foro financeiro sendo, por isso, extremamente relevante a sua prevenção, bem como a identificação de crianças com excesso de peso (pré-obesidade e obesidade) numa fase precoce para que as mesmas possam ser encaminhadas no sentido de iniciar um tratamento que vise o alcance e/ou manutenção de um peso saudável (3).

Vários estudos efetuados em diversos países a nível mundial têm vindo a demonstrar um número significativo e crescente de crianças com sobrepeso ou obesidade como é o caso de Israel que aumentou a sua prevalência de 5,8% para 11,9% e de Malta que apresentou um crescimento de 7,4% para 13,4% (4), revelando que a obesidade infantil tem-se vindo a tornar num problema desafiador. Em Portugal, cerca de 31,6% das crianças com 7 a 8 anos de idade apresenta excesso de peso (5) e nos arquipélagos da Madeira e dos Açores, alguns estudos que investigaram a prevalência de pré-obesidade e obesidade na infância e adolescência (6–10), detetaram elevados níveis de obesidade (11). Em Espanha, especificamente nas Ilhas Canárias, 32,8% dos indivíduos com idades compreendidas entre os 2 e os 24 anos apresentam excesso de peso, dos quais 18% são obesos (12,17), colocando-a como a comunidade autónoma com um dos maiores índices de obesidade infantil de todo o território espanhol (14,26). Mas poucos são os estudos realizados em Portugal e Espanha que avaliam a prevalência de excesso de peso (incluindo obesidade) com crianças em idade pré-escolar e escolar. Neste sentido, e tendo em consideração todos os aspetos anteriormente mencionados, o objetivo da presente análise residiu na avaliação dos dados antropométricos de uma amostra de crianças em idade pré-escolar e escolar da região conhecida como Macaronésia Europeia (Madeira, Açores e Ilhas Canárias) e posterior apreciação da prevalência de peso normal, pré-obesidade e obesidade.

Material e Métodos

Desenho e estudo da população

O presente estudo consiste numa análise transversal com o objetivo de avaliar a prevalência de peso normal, pré-obesidade e obesidade em crianças de idade pré-escolar e escolar da Macaronésia, nomeadamente dos arquipélagos da Madeira e Açores e das Ilhas Canárias. Os participantes com idades compreendidas entre os 3 e os 9 anos foram recrutados aleatoriamente em escolas de ensino público do concelho de Câmara de Lobos (Ilha da Madeira) e das ilhas de São Miguel, Faial e Terceira, todas incluídas no arquipélago dos Açores, e em escolas de ensino privado da ilha de Gran Canaria. Os critérios de inclusão das crianças envolveram o consentimento por escrito dos encarregados de educação (de acordo com a Declaração de Helsínquia), não apresentar doença aparente e estar presente no dia agendado para a visita. As avaliações ocorreram durante os anos letivos de 2016/2017 (no arquipélago da Madeira) e 2018/2019 (no arquipélago dos Açores e nas Ilhas Canárias). O tamanho efetivo da amostra do presente trabalho foi de 3481 participantes, e a amostra não foi representativa da população geral nem em termos de idade, género ou região.

Avaliação dos dados antropométricos

O peso foi medido por profissionais treinados utilizando uma balança eletrónica, registando o valor no decigrama mais próximo (0,1 kg) e a estatura usando um estadiómetro calibrado. A estatura foi avaliada com as crianças em pé, de costas para o estadiómetro e com os pés e joelhos juntos, a cabeça posicionada para que o olhar permanecesse horizontal, de acordo com o plano de Frankfurt (16). O valor foi registado no milímetro mais próximo (0,1 cm). Todos os participantes usaram roupas leves e não usaram sapatos durante todas as medições. O Índice de Massa Corporal (IMC) foi posteriormente calculado a partir das medidas obtidas em cada criança, utilizando a fórmula normalizada [Peso (em kg)/Estatura2 (em m)] (27). Peso normal, pré-obesidade e obesidade foram classificados usando os pontos de corte internacionais de idade e sexo, de acordo com os propostos pelo International Obesity Task Force (IOTF) (15).

Análise estatística

Os dados foram apresentados como médias e desvio padrão (DP) para variáveis contínuas ou números e percentagens para variáveis dicotómicas. Comparámos a distribuição das características selecionadas entre os grupos usando testes de Pearson χ2 para variáveis categóricas ou testes t de Student ou análise de variância (ANOVA), conforme apropriado, para variáveis contínuas. Os modelos de regressão logística foram ajustados para avaliar as associações entre apresentar um IMC correspondente a pré-obesidade e/ou obesidade (variável dependente) e sexo (duas categorias), idade (sete categorias) ou arquipélago (três categorias) como exposição. Os modelos foram ajustados para sexo, idade e arquipélago, exceto quando qualquer uma dessas variáveis foi a variável independente. Todos os testes estatísticos foram bicaudais e o nível de significância foi estabelecido em p <0,05. Todas as análises foram realizadas utilizando o software SPSS versão 26.0 (SPSS Inc, Chicago, IL, EUA)

Resultados e Discussão

Um total de 3481 indivíduos (1768 rapazes e 1713 raparigas) dos arquipélagos dos Açores e da Madeira, assim como das Ilhas Canárias participaram na presente análise com uma idade média de 6,48 anos (DP:1,96).

As características gerais da população estudada de acordo com o sexo estão resumidas na Tabela 1. Não foram encontradas outras diferenças estatísticas relativamente à idade, peso e IMC na população estudada. Contudo, a estatura foi estatisticamente diferente entre rapazes e raparigas, sendo as últimas mais baixas.

 

 

A Tabela 2 mostra as medidas antropométricas para cada categoria de idade avaliada, distribuídas em função do sexo. Os rapazes foram estatisticamente mais altos que as raparigas aos 5 anos (1,14 m vs. 1,12 m), 6 (1,20 m vs. 1,19 m) e 8 (1,32 m vs. 1,31 m). Além disso, os rapazes com 5 anos de idade foram também estatisticamente mais pesados que as raparigas (21,86 kg vs. 20,84 kg) da mesma idade.

As crianças do sexo feminino apresentaram mais excesso de peso do que os rapazes, em todas as idades, à exceção da pré-obesidade aos 9 anos de idade. No entanto, é de notar que estas relações não foram estatisticamente significativas. Contudo, quando a análise foi realizada tendo em conta toda a amostra, e não subdividida por categorias de idade, verificou-se que as raparigas apresentaram significativamente mais pré-obesidade (20,90% vs. 16,50%) e obesidade (14,10% vs. 13,00%) em comparação com os rapazes. Estes resultados podem ser observados na Tabela 3.

A Odds Ratio de apresentar IMC correspondente a excesso de peso (pré-obesidade e obesidade) de acordo com os critérios da IOTF (Tabela 4) foi significativamente mais elevada com o facto de ser rapariga, e assim como com o facto de ter 4, 5, 6, 7, 8 e 9 anos de idade, no modelo totalmente ajustado. Quando a comparação foi efetuada de acordo com o sexo, verificou-se que os rapazes com mais de 6 anos e as raparigas com mais de 5 anos apresentavam uma maior probabilidade de apresentarem excesso de peso. Na mesma linha de investigação, foi também realizada a análise de odds ratio de acordo com o arquipélago de residência. As crianças dos Açores e da Madeira apresentaram um risco mais elevado de apresentar excesso de peso, tendo em consideração as Ilhas Canárias como referência. Quando a análise foi dividida por sexo, notou-se que os rapazes da Madeira e dos Açores e apenas as raparigas da Madeira apresentavam maior probabilidade [1,30 (1,02-1,67)] de apresentar IMC superior às recomendações.

Estas conclusões foram condizentes com outros relatórios anteriores (8,16,17) nos quais os autores descreveram que as raparigas apresentaram maior prevalência de excesso de peso (incluindo obesidade) na primeira infância. Em relação à prevalência de excesso de peso e/ou obesidade em função da localização dos indivíduos, tem sido descrito em diversos estudos que alguns dos níveis mais elevados de obesidade no mundo são encontrados em populações insulares (18–22), como é o caso dos Açores, Madeira e Canárias. Esses resultados podem ser explicados por uma série de fatores, incluindo baixos níveis de atividade física e uma diminuição no consumo de alimentos tradicionais, frescos e locais das ilhas, como peixe, carne e frutas e legumes, que foram substituídos por uma dieta com uma alta densidade energética (22). Contudo, até onde se sabe, a presente publicação é a primeira a descrever este dado e a avaliar exclusivamente dados antropométricos em crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 9 anos nos arquipélagos da Madeira, Açores e Ilhas Canárias. Contudo, mais estudos são necessários para uma melhor compreensão das variáveis sociodemográficas que poderiam explicar os resultados obtidos. O foco do presente trabalho não se centrava nem integrava a avaliação de variáveis explicativas, sendo por isso necessários estudos futuros que visem esclarecer os comportamentos que podem desencadear esta condição, atendendo a que a avaliação dos comportamentos de estilo de vida das crianças que incluem os hábitos alimentares, a atividade física e os comportamentos sedentários não foram avaliados, constituindo limitações inerentes a este estudo (23), bem como o facto de não ter sido possível recolher dados em Cabo Verde para a integração e processamento dos mesmos no corrente estudo. Estes resultados enfatizam a importância da existência de estratégias educativas e de medidas interventivas em idades precoces que contribuam para um controlo efetivo da obesidade infantil, reduzindo as suas taxas (24,25).

Conclusões

Os resultados obtidos no presente trabalho revelaram uma prevalência significativamente mais elevada de pré-obesidade e obesidade em participantes do sexo feminino de quase todas as idades analisadas e residentes no arquipélago dos Açores e da Madeira. Estes resultados expõem a necessidade de melhores e novas estratégias educativas, políticas de saúde pública, e medidas de intervenção em idades precoces, de modo a contribuir para o controlo efetivo da obesidade infantil em todo o mundo.

Declaração sobre as contribuições do autor

N.T., conceitualização e conceção do estudo; N.T., implementação experimental e recolha de dados; C.F.-P., análise de dados; N.T., T.S., C.F.-P. redação, edição e revisão; C.F.-P. tabelas; N.T., C.F.-P. supervisão e redação final.

Financiamento

Cíntia Ferreira-Pêgo é  financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) Contrato de Estímulo ao Emprego Científico com o número de referência CEEC/CBIOS/NUT/2018. Este trabalho é financiado por fundos nacionais através da FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia, I.P., ao abrigo dos projetos UIDB/04567/2020 e UIDP/ 04567/2020.

Agradecimentos

Os autores desejam expressar os seus agradecimentos a todos os participantes no estudo.

Conflito de Interesses

Os autores declaram que não há relações financeiras e/ou pessoais que possam representar um potencial conflito de interesses.

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