doi: 10.19277/bbr.18.1.248.pt

Ciências Biomédicas, Biomed Biopharm Res., 2021; 18(1):4-14  

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Impacto do ano de formação no posicionamento dos profissionais de nutrição face à dieta vegetariana

Aline Ambrósio1, Letícia Vasconcelos1, Marta Raposo1, Cíntia Ferreira-Pêgo2*

1Universidade Lusófona, School of Sciences and Health Technologies, Lisboa, Portugal

2CBIOS – Universidade Lusófona's Research Center for Biosciences and Health Technologies, Av. Campo Grande 376, 1749-024 Lisbon, Portugal

*autor correspondente: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.  

Recebido: 30/10/2020; Aceite: 21/01/2021

Resumo

A adoção de um padrão alimentar vegetariano tem aumentado ao longo dos anos. Em Portugal estima-se que 1.2% da população siga este padrão alimentar. Realizou-se um estudo transversal que incluiu uma amostra de 74 profissionais de nutrição com o objetivo de avaliar a posição dos mesmos face à dieta vegetariana (DV) em função do seu ano de formação (AF). 23 profissionais de nutrição formaram-se entre os anos de 1980 e 2009; e 51 entre os anos de 2010 e 2019. Observaram-se diferenças significativas quanto à possibilidade de manter uma DV ao longo da vida, onde 81.1% dos inquiridos consideram ser possível, sendo que a maioria pertencente ao grupo formado após 2009. Quanto à suplementação, 13% dos profissionais de nutrição formados até 2009 acreditam ser possível aderir à DV sem recorrer à suplementação, no entanto, a percentagem aumenta significativamente para 39.2% nos profissionais de nutrição formados após 2009. A percentagem de profissionais de nutrição que aprova a adesão de atletas à DV aumentou estatisticamente nos últimos anos, contudo, a maioria acredita que esta adesão apenas é possível mediante o uso de suplementos. A adesão à DV tem aumentado ao longo dos últimos anos, contudo a opinião dos profissionais de nutrição não é unanime quanto à sua segurança, eficácia e suplementação.

 

Palavras-chave: Dieta Vegetariana; Nutricionistas; Evidência Científica; Ano de formação; Profissionais de nutrição

Introdução

O padrão alimentar vegetariano, mais designado por “alimentação vegetariana” ou “dieta vegetariana (DV)” é conhecido e tem sido praticado desde há vários séculos por razões económicas, religiosas, éticas, ambientais ou de saúde (1). Pitágoras é considerado o fundador do movimento vegetariano e o povo da Grécia antiga, um grande apoiante (1). Religiões como o Budismo, Jainismo e Hinduísmo também tiveram um papel importante na promoção da DV (1) . No século XIX, com a formação das sociedades, unidades de cuidados de saúde, publicação de livros e abertura de restaurantes, o movimento vegetariano iniciou a sua expansão (2). A adoção de um padrão alimentar vegetariano tem vindo a aumentar ao longo dos anos na Europa, não só entre a população adulta, mas também entre crianças e adolescentes (3). Segundo um estudo publicado pela Meat Atlas em 2014, estima-se que 2 a 10% dos europeus sejam vegetarianos (4). Em setembro de 2007, a Nielsen Media Research realizou um estudo para o Centro Vegetariano Português, sendo este o primeiro que utilizou uma amostra representativa da população portuguesa, com o intuito de determinar o número de vegetarianos em Portugal. Passados dez anos, em setembro de 2017, repetiu-se o estudo e as conclusões mostram uma evolução muito surpreendente. O número de vegetarianos quadruplicou em 10 anos, com 1.2% dos portugueses a não consumirem carne nem peixe, atualmente. Em 2007, apenas 0.3% da população portuguesa seguia este estilo de vida e de alimentação (5).

A DV constitui uma vasta gama de práticas alimentares, heterogéneas na sua composição e com restrições variáveis (6). Os muitos tipos de DV compartilham a mesma característica: a eliminação de carne e peixe enquanto alguns também eliminam ovos, leite e produtos lácteos. Esta dieta é baseada em alimentos de origem vegetal, como cereais, leguminosas, raízes, oleaginosas, frutas, legumes, frutos secos, entre outros (6). De acordo com a Academia de Nutrição e Dietética, a DV é definida como aquela que não inclui carne (incluindo aves) ou frutos do mar ou produtos que contenham esses mesmos alimentos (7,8).

A carne é, segundo alguns estudos, uma boa fonte de energia e de vários nutrientes essenciais, como a proteína e micronutrientes, nomeadamente ferro, zinco e vitamina B12 (9). No entanto, estudos epidemiológicos mostram que um alto consumo de carne vermelha e especialmente processada é um fator de risco para várias doenças crónicas, como cancro colorretal (10), Diabetes Mellitus (DM) Tipo 2 (11) e doenças cardiovasculares (12). Os vegetarianos, geralmente, consomem menor quantidade calórica alimentar, devido ao facto da sua dieta ser composta por menor quantidade total de gordura e proteínas de origem animal (13). A preocupação principal dos profissionais de nutrição, na adesão à DV, tem sido a aferição em relação à ingestão proteica, especialmente no que diz respeito aos aminoácidos essenciais (13), bem como alguns micronutrientes como vitamina B12, vitamina D, e ferro (14).

Devido a todos estes motivos, mas sobretudo devido à falta de consenso por parte dos profissionais de saúde quanto aos benefícios e/ ou riscos da DV, o principal objetivo do presente estudo foi conhecer a opinião de Nutricionistas e Dietistas, com atuação profissional em Portugal, em relação à dieta vegetariana, seus benefícios e riscos.

Material e Métodos

Desenho e estudo da População

Foi realizado um estudo observacional de carácter transversal, entre Abril e Maio de 2020, que incluiu uma amostra de 74 nutricionistas e dietistas. Todos os participantes deveriam exercer a sua profissão em território Português no momento da recolha dos dados. Não existiram critérios de exclusão, além da não exerção da profissão, o que indica que foram incluídos sujeitos de todas as idades, géneros, graus académicos, áreas de atuação profissional, tempo de carreira e obtenção do grau em universidades públicas, privadas ou estrangeiras. Os profissionais de nutrição foram recrutados mediante o auxílio de associações profissionalizantes específicas para este tipo de indivíduos. Foi partilhado o questionário através das suas plataformas e também foi enviado emails a todos os associados. Os inquiridos foram, antecipadamente da recolha dos dados, esclarecidos sobre os objetivos e finalidades do estudo, assim como da anonimidade dos seus dados, tendo assinado um consentimento informado.

Dieta Vegetariana

A recolha de dados foi realizada mediante um questionário online não-validado. Este questionário foi desenvolvido especificamente pelos investigadores do projeto para esta recolha de dados e foi composto por 26 perguntas: 2 sobre características sociodemográficas (idade e género); 5 sobre formação profissional (local de formação, grau académico, área de atuação profissional, tempo de exercício da profissão e frequência com que assistem a convenções e congressos da área); e as restantes 19 questões sobre a posição dos nutricionistas face à DV (se seria saudável, se desaconselharia a adesão, se os produtos de origem animal seriam indispensáveis, a que faixas etárias recomendaria este tipo de alimentação, se tem benefícios a longo e a curto prazo, se seria possível manter esta dieta ao longo da vida, se teria todos os nutrientes necessários, se seria possível a adesão sem o uso de suplementos e quais os que mais recomendam, se a ausência de produtos animais faz com que esta dieta seja mais saudável, se os vegetarianos têm maior risco de desenvolver anemia, se recomenda esta dieta a atletas, se recomenda o consumo de lacticínios e ovos e se aconselharia a DV como método de emagrecimento).Todas as questões eram de escolha múltipla, e em nenhuma delas foi permitida resposta aberta.

Analise Estatística

Os dados adquiridos foram introduzidos no software Excel, e transformados em códigos numéricos para serem transferidos para o software IBM SPSS Statistics versão 26. Comparou-se a distribuição das características selecionadas entre os grupos usando testes de Qui-quadrado de Pearson para variáveis categóricas, nas quais, as unidades foram expressas em % (n). Todas as análises sobre a opinião dos profissionais de nutrição sobre a DV, foram realizadas em função do ano de formação (AF) dos participantes. Para realizar esta relação, agruparam-se os AF em dois grupos de análise: entre 1980 a 2009 e entre 2010 a 2019. O objetivo desta análise foi observar diferenças entre várias décadas de formação e as mais recentes evidências científicas respeito à DV, visto que a bibliografia referente ao tema evoluiu bastante nos últimos anos e é importante conhecer a atualização profissional dos nutricionistas e dietistas. Todos os testes estatísticos realizados foram testes bicaudais e o nível de significância foi considerado para p <0,05.

Resultados

A amostra composta por 74 participantes foi caracterizada em base ao AF, no qual 23 inquiridos formaram-se entre 1980 e 2009; e 51 entre 2010 e 2019, tendo sido estes dados estatisticamente relacionados com o sexo, o ano de nascimento e tempo de atuação profissional (Tabela 1). Não foram observadas outras diferenças significativas em relação ao local de formação, grau académico, área de atuação ou frequência de assistência a congressos.

De acordo com a Tabela 2 é possível observar que independentemente do AF, a maioria dos profissionais de nutrição não acreditam que a DV seja sinónimo de uma dieta saudável. Em contrapartida, é possível constatar que a maioria dos profissionais de nutrição formados após 2009 (64.7%) aconselham a adesão a esta dieta, ao contrário dos profissionais de nutrição formados até este ano, cuja maioria desaconselha. Em relação aos benefícios da DV a longo e a curto prazo, verificou-se que os profissionais de nutrição formados até 2009 não consideram que esta dieta possa ser benéfica para a saúde, contradizendo a opinião dos profissionais de nutrição formados após esta data. No que toca aos produtos de origem animal, a maioria dos profissionais de nutrição concordam que a ausência destes não torna a dieta mais saudável, no entanto, verifica-se um aumento na percentagem de profissionais de nutrição formados após 2009 que defendem a ideia contrária. Aproximadamente 52% dos profissionais de nutrição formados até 2009 e 72.5% formados após esta data acreditam que, se a DV for equilibrada, todos os nutrientes necessários serão fornecidos. Os resultados, também, mostram que a maioria dos profissionais de nutrição consideraram que há um maior risco de desenvolver anemia perante uma DV, porém, observa-se que há uma diminuição deste pensamento nos profissionais de nutrição formados após 2009. Quanto à utilização desta dieta como método de emagrecimento, em ambos os grupos a maioria dos profissionais de nutrição concordam que não é uma boa estratégia para este efeito. É importante referir que nenhuma destas relações descritas foi estatisticamente significativa.

Não obstante, foram encontradas diferenças estatisticamente significativas quanto ao facto de ser possível manter uma DV ao longo da vida, onde 81.1% da população geral considera ser possível, sendo que a maioria destes se encontram no grupo que se formou após 2009. Em relação à suplementação, apenas 13% dos profissionais de nutrição formados até 2009 acreditam que é possível aderir à DV sem nenhum tipo de suplementação, no entanto, a percentagem aumenta significativamente para 39.2% nos profissionais de nutrição formados após 2009. Finalmente, a percentagem de profissionais de nutrição que defendeu a adesão de atletas à DV aumentou estatisticamente ao longo do tempo, todavia, a maioria acredita que esta adesão apenas é possível com a utilização de suplementação.

Discussão

O presente estudo teve como intuito avaliar a relação entre o AF e o posicionamento dos nutricionistas e dietistas face à DV, tendo como base de comparação as evidências científicas atuais disponíveis. Em geral, os profissionais de nutrição, não consideram a DV sinónimo de uma dieta saudável. Todavia, a maioria dos profissionais de nutrição formados após 2009 afirmam que aconselham a adesão à DV, o que demonstra uma certa controvérsia. Não obstante, é importante relembrar que uma DV equilibrada fornece uma alta ingestão de fibras alimentares e fitoquímicos promotores de saúde, devido ao consumo de frutas, vegetais, grãos integrais, legumes, nozes e vários produtos de soja (15,16). Os vegetarianos normalmente apresentam menor índice de massa corporal, menores níveis séricos de colesterol total e lipoproteínas de baixa densidade e pressão arterial dentro dos valores de referência, taxas de mortalidade por doença isquémica do coração mais reduzidas e, também, a diminuição da incidência de hipertensão, acidente vascular cerebral, DM Tipo 2 e vários tipos de cancro, em comparação com os indivíduos omnívoros (16,17).

Em relação à consideração da DV como benéfica a curto e a longo prazo, e se é possível a sua prática ao longo de toda a vida também se observaram controvérsias entre os grupos analisados. De acordo com alguns estudos, uma intervenção dietética vegetariana com pouca gordura saturada, livre de todos os produtos de origem animal e com alimentos integrais pode fornecer benefícios significativos tanto a curto, como a longo prazo (16,18,19). Uma DV equilibrada, com ou sem inclusão de alimentos fortificados ou suplementos, atende às recomendações nutricionais atuais e é apropriada para todas as etapas do ciclo de vida (20). Contudo, é importante relembrar que a DV pode ter menor qualidade proteica, um reflexo de perfis de aminoácidos menos favoráveis e com menor biodisponibilidade, em comparação com dietas omnívoras (21). Somente no caso de uma DV não adequadamente planeada, é que pode haver redução da ingestão calórica e a deficiência nutricional de ácidos gordos, proteínas, vitaminas e minerais (22). Não obstante, foi descrito que as DV equilibradas são apropriadas para indivíduos durante todas as fases do ciclo da vida, incluindo gravidez, lactação, infância, adolescência, velhice e atletas (23).

Quanto à necessidade de suplementos alimentares, a DV atende às recomendações atuais de todos os nutrientes se for feita de modo equilibrado, embora, seja necessário haver uma maior atenção quanto à vitamina D, ácidos gordos omega-3, cálcio, ferro e zinco. Contudo, o uso de suplementos alimentares e alimentos fortificados fornece uma segurança contra a deficiência destes micronutrientes (15). Portanto, embora dietas à base de plantas estejam em risco de deficiências nutricionais, como proteínas, ferro, vitamina D, cálcio, iodo e ómega-3, as evidências disponíveis mostram que dietas DV bem planeadas podem ser consideradas seguras, mas requerem uma forte consciência para uma ingestão equilibrada dos principais nutrientes (24). A exceção remonta à vitamina B12, já que devido à inexistência da mesma numa DV, deverá ser obtida através de suplementos alimentares (25). Relativamente à questão dos vegetarianos serem mais propensos a desenvolverem anemia, estudos demonstram que quanto menor o consumo de carne, mais baixas são as concentrações de hemoglobina sérica, e consequentemente maior a probabilidade de desenvolver anemia (21,26). Em relação à adesão à DV por atletas, pode ser recomendado o uso de suplementos de acordo com as últimas evidências cientificas (27). A DV bem planeada e, adequadamente suplementada, parece apoiar, efetivamente, o desempenho atlético. De acordo com um estudo realizado em 2019, os atletas vegetarianos teriam de consumir uma quantidade adicional de proteína para atingirem as quantidades necessárias diárias comparadas a um grupo de não vegetarianos (28). A maioria dos profissionais de nutrição não considera a DV como um bom método de emagrecimento. Não obstante, estudos observacionais demonstram que os vegetarianos, geralmente, demonstram pesos corporais mais baixos em comparação com os omnívoros (29). A prescrição de dietas vegetarianas reduz o peso corporal médio, sugerindo um potencial valor para prevenção e controlo de patologias relacionadas ao peso (18). Segundo a Academia de Nutrição e Dietética, a Direção Geral de Saúde e a Organização Mundial de Saúde, as DV adequadamente planeadas, incluindo dietas totalmente vegetarianas, são saudáveis, nutricionalmente adequadas e podem fornecer benefícios à saúde na prevenção e tratamento de certas doenças (8). Não obstante, os resultados obtidos no presente estudo apontam para uma controvérsia entre os profissionais de nutrição, já que uma percentagem da amostra não está em sintonia com as evidências científicas, o que faz destacar ainda mais o pouco consenso existente entre gerações.

Conclusões

Foi possível observar o impacto que o AF tem sobre o posicionamento dos profissionais de nutrição sobre a DV, notando-se uma divergência entre os dois grupos analisados. Contudo, nenhum dos dois grupos demonstrou conhecimento total sobre a evidência científica mais recente. Através deste estudo destaca-se a necessidade de intervenções dos órgãos superiores para o incentivo da atualização e da formação profissional, da participação em discussões e debates que podem melhorar a compreensão, confiança, interpretação e uso da literatura científica por parte dos profissionais de nutrição, para que possam avaliar e aplicar estes conteúdos na sua prática diária.

Declaração sobre as contribuições do autor

C.F-P., conceção e desenho do estudo; A.A, L.V, M.R. implementação experimental; A.A, L.V, M.R. análise de dados; A.A, L.V, M.R. redação, edição e revisão; A.A, L.V, M.R. figuras e gráficos; C.F-P supervisão e redação final.

Financiamento

Cíntia Ferreira Pêgo é financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) mediante o Contrato de Estímulo ao Emprego Científico com o número de referência CEEC/CBIOS/NUT/2018. Este trabalho é financiado por fundos nacionais através da FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia, I.P., ao abrigo dos projetos UIDB/04567/2020 e UIDP/04567/2020.

Agradecimentos

Os autores agradecem a todos os participantes.

Conflito de Interesses

A.A, L.V., M.R., C.F.-P. não têm conflitos de interesse a reportar.

Referências

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